18 de junho de 2017

Os filmes acabam sempre com música






(depois de ver o filme "Table 19")


Ás vezes são as pessoas estranhas que conseguem entender-te melhor. Chegar até de ti de outra forma. Preocupar-se com o que sentes, ou com os pensamentos soltos que tenhas no momento que parece infindável em que falas com eles. É a vantagem (ou desvantagem) de não teres nenhuma pré-definição envolta em ti sobre a personalidade ou o carácter daquela pessoa. E ás vezes, sem qualquer pedido da tua parte para tal, sentes-te compreendido. Por alguém que pode ser tão diferente de ti, quanto, parecido. Não é uma questão complicada. Aliás, acontece mais vezes do que aquelas que poderíamos prever. 
Nem sempre acontecem conexões mentais com alguém, mas quando acontecem...
São fortes. 
Isso fez-me estar ligada a tia, se calhar, mais tempo do que devia. Tu eras a pessoa estranha que de repente clicou num interruptor qualquer em mim e surpreendeu-me. E eu fiz o mesmo contigo, sem que pedíssemos. E depois fomo-nos conhecendo, e o tempo passou. Deixámos que a música entrasse, como num filme singelo daqueles que gostamos de ver, e fomos apreciando a melodia, nem sempre juntos. E foi esse "nem sempre" que foi destoando a conexão. Não porém, a química. Essa permaneceu, permanece, e vai continuar. Talvez, para sempre. Mas é bom assim, não é?
Ás vezes são as pessoas estranhas que mais se importam connosco. E nós nem reparamos. Só depois, de um tempo. Até estranhamos. Um "como", ou um "porquê" daquele alguém que eu "não-sei-bem-quem-é-nem-o-que-quer", o que inevitavelmente nos leva a conceber uma ideia errada sobre as pretensões desse indivíduo. Mas pode não ser mais nada que não preocupação: serena, doce, como um lembrete na agenda para algo que nós gostamos. Uma ligeira ligação, sem que haja promiscuidade do outro lado. E isso agarra-te. Porque é a forma como te tratam que vai importando. E te fazendo continuar. E nós vamos ficando assim: agarrado às pessoas estranhas que já não o são de tão próximas que se tornaram, e curiosas pelas novas pessoas estranhas que vão aparecendo e deixando crescer o desejo de as conhecer. E vão começando tonalidades de uma nova melodia. Uma nova canção. Um novo episódio nas nossas vidas, quiçá até, um novo filme.
Se calhar, um dia, também nós voltemos a ser estranhos. 
Eu não queria, mas...
E comecemos um novo filme.
Eu sempre achei que tinha mais talento para ser uma personagem principal.
Mas como eu contínua a achar que fui e sou, e faço questão de ser. E sei que tu achas o mesmo. 
Só que o receio foi-te derrotando as deixas. 
Vamos só continuar deixar andar a melodia, sim?
É que os filmes, os bons filmes, acabam sempre com música.
E nós fomos um filme digno de Óscar!

Não achas?
  
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