A arte de quando não se tem dinheiro








Aos 16 anos, como toda a adolescente louca por roupas, tive a minha primeira aparição nas ruas do Chiado. Tinha ido estudar recentemente para Lisboa, e aquelas lojas tornaram-se o meu fascínio em alguns finais de tarde. Foi a loucura. Nunca tinha trazido calças tão diferentes, tentado tantos provadores, me rendido às camisolas mais extravagantes da Bershka. Contei e recontei as moedas da carteira naqueles saldos que pareciam não ter fim, e trouxe tudo (ou quase tudo) o que queria. Vinha consciente de que tinha feito escolhas acertadas para o início do Outono no meu guarda roupa e que igualmente tinha sido a mais poupada das garotas. Oh, Inocência! Chegar ao meu pseudo- mealheiro, e constatar que as notas "grandes" do último verão tinham sumido todas, restando aquelas pobres moedas de 50 e 20 cêntimos, foi o arrepio na espinha que não me faltava nessa noite. Não tinha nada, ou quase nada! Devia ter mais umas moedas na carteira... coisa pouca. Era de dar para um café, ou assim... Perante tal esgar, a minha mãe chacinou toda a minha confiança na mítica frase "é assim, ele vem, e vai que é um instante!" . 

E é verdade. 
Eu não tinha estourado todas as minhas poupanças à toa. Eu simplesmente tinha enfrentado o facto de que o dinheiro vai... na troca em que as coisas vêm. É para isso que ele serve. Só que... foi muito depressa numa só tarde e eu nem reparei.
Quem nunca?!
A verdade, é que sendo mesmo eu uma pessoa ainda hoje ser super sensível às minhas contas-poupança, não me posso esquecer das lições que esses momentos me deram: a verdadeira arte que é vivermos com pouco, ou quase nenhum dinheiro vivo durante algum tempo. Não é que sejamos cabeças-de-vento, a verdade é que todos nós já tivemos algum momento em que por dívidas extra, ou momentos menos bons, o dinheiro escasseou mais do que devia. E isso consegue trazer à tona o mais criativo de nós. O melhor é tentar sempre ver tudo pelo lado positivo. O desejo de comprar algo, embora prevaleça, decresce consideravelmente, por não podermos ou não o "termos à mão". Começamos a apreciar o que não se pode comprar: as ruas, as pessoas, o clima, as montras que embora bonitas não te traem o olhar (nem a carteira). Aprende-se a passear sem ter que gastar. A ser mais original nas refeições que temos realizamos, e a aproveitar o que já temos, ao invés de comprar algo para substituir as necessidades na hora. Coisas mais antigas que tinha por aqui, dei-lhes finalmente o devido valor. 
Até que no fim do mês já volta um cachet(zinho) novamente - nem que seja a mesada dos pais - que ajuda na substituição dos desejos. Mas que é uma verdadeira arte, esta de fazer malabarismos com as contas, oh, que ninguém tenha dúvidas!


Imagem: canvas.com

CONVERSATION

4 comentários:

  1. Muito bom post sem dúvida! Infelizmente o dinheiro quase nem tem tempo de aquecer a carteira :p
    Beijinhos *

    http://chique-e-geek.blogs.sapo.pt/

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  2. ahahah ainda me lembro dessa época...e sinceramente tão bom agora:) mas sou bem regrada (apesar de não parecer ehehe). Beijinho grande
    elisaumarapariganormal.blogspot.pt

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  3. É mesmo verdade aquilo que escreveste. Uma pessoa gasta o dinheiro e nem se apercebe onde até ao momento em que olha para a sua carteira no final do dia e todo o dinheiro desapareceu.

    My Own Anatomy ♡

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  4. É mesmo verdade! Compramos só uma coisinha e de repente já não temos dinheiro! Temos que ser mesmo, mesmo cuidadosos...
    Não conhecia o blog mas adorei e já estou a seguir!
    Beijinhos,
    An Aesthetic Alien | Instagram | Facebook
    Giveaway choker a decorrer

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